Sinopse
Quatro mulheres - uma delas acaba de falecer - e um homem atravessam o país rumo a um povoado onde a morte pediu para ser enterrada. Em uma labiríntica Argentina profunda, os personagens constroem simultaneamente mapa e território pelos quais se movem enquanto aguardam a chegada da tormenta final.
Mais do que uma sombra terrível, é uma voz, ou o eco de uma voz, que ressoa pelos pampas e percorre a trama de DEBAIXO DA CHUVA, RELÂMPAGO E TROVÃO: a voz de uma mulher em busca de sua destino final, a voz de uma morta que questiona, indaga, dá ordens. Uma voz que empurra Rudes, Elena e a narradora a percorrerem, com o caixão às costas, a distância sempre imprecisa até Villa Evangelina, local onde a morta pediu para ser enterrada.
A viagem destas mulheres vai deixando um sulco num tempo vagamente localizado em algum ponto do século XIX e num espaço de contato direto com uma natureza que já não existe: ervas, flores, plantas, animais, céus, horizontes. Um campo cheio de ameaças e possibilidades, um campo que abre as portas para a verdadeira experiência. Fermím Eloy Acosta constrói, com um ouvido notável, uma estranha linguagem que funciona como ponto de condensação de um universo ao mesmo tempo fantástico e marginal.