Não deixe seus livros parados na estante. Troque seus livros com 200 mil leitores. Participe!

CADASTRE-SE

PARANGOLÁ: O PARADOXO DA REDUNDÂNCIA

Sergio Guerra
(0) votos | (0) comentários

Sinopse
Parangolá traz quase uma centena de imagens de antenas, todas elas capturadas em Angola, na sua maioria em Luanda, a capital do país. Mas a despeito disso, não pede para ser visto estritamente como um livro de fotografias. Sua intenção é muito mais reflexiva do que estética ou mesmo documental. Ao folhear o livro, tem-se a nítida impressão de que as suas imagens, ou a maior parte delas, não perseguem a singularidade de um registro único. Cada imagem existe por causa da outra, existe para a profusão de todas as outras imagens. São deliberadamente replicantes. O fotógrafo imita as qualidades do seu objeto. Suas fotos são como as antenas descritas por Arnaldo Antunes num texto do livro: se alastram e se proliferam sem nenhum controle de natalidade. São como espelhos que refletem e multiplicam o caos urbano, os seus fantasmas de concreto e metal, seus escombros, seus milhares de antenas, suas garras voltadas para o alto, sua impressionante vontade de sair para fora. O autor optou pela redundância, nem sempre agradável ao olhar mais diletante, para melhor enfatizar os destroços da guerra, os despojos da utopia socialista, o desejo irreprimível de ascensão social, a vontade de universalização e integração, manifestada por uma sociedade na periferia do ocidente. Numa palavra, os paradoxos e os abismos daquilo que chamamos de globalização. Estamos num mundo confuso e confusamente percebido?. Esta é uma das senhas que Guerra nos oferece, colhida não por acaso nas páginas do geógrafo Milton Santos. Para ele, a idéia de uma aldeia global não passa de uma fábula. Uma fábula, por conta da sua ainda excessiva unilateralidade. Uma fábula porque o acelerado e compulsivo acesso aos artefatos técnicos da globalização põe mundos em convívio, sem lhes assegurar necessariamente a experiência de uma comunidade universal. É certo que estamos longe de experimentar a redentora vivência da aldeia global. Talvez, o seu maior protagonista ainda seja o capital, como afirmam os críticos mais frontais. Mas o que vemos no céu de Angola não são apenas as certezas e as ilusões que alimentam os discursos acerca da globalização. São ricos paradoxos. Se por um lado fazem eco à crítica do professor Milton Santos, por outro confirmam as suas esperanças de que o tempo real, compreendido como um património coletivo da humanidade, é um ideal alcançável.
Categoria
Editora Maianga
ISBN-13 8588543281
ISBN 9788588543287
Edição 1 / 2004
Idioma Português
Páginas 124
Estante 0  0  0   0
Sua estante
4% chance de ser solicitado

CADASTRE-SE


AVALIAÇÃO DO LEITOR
Já leu o livro? Comente!

Quero comentar sobre este livro